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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Como bactérias quase mortas por antibióticos podem se recuperar – e de quebra ganhar resistência



Uma proteína que bombeia produtos químicos tóxicos de células bacterianas de E. coli pode ganhar tempo até que micróbios quase mortos se tornem resistentes a antibióticos. A proteína, conhecida como bomba de fluxo de múltiplas drogas AcrAB-TolC, não funciona bem o suficiente para derrotar os antibióticos. Mas pode eliminar moléculas antibióticas em quantidade suficiente para permitir a produção de proteínas de resistência real em células bacterianas, relatam pesquisadores na revista Science em 24 de maio.

Os cientistas sabem há décadas que os genes de resistência a antibióticos são frequentemente transportados em pequenos círculos de DNA chamados plasmídeos. Duas bactérias que entram em contato umas com as outras podem passar esses plasmídeos de células resistentes a antibióticos para células mais sensíveis. Mas isso acontece quando os antibióticos não estão por perto para matar células sensíveis.

A sabedoria comum afirma que o tratamento de bactérias com antibióticos deve parar as bactérias no ato de trocar genes de resistência a antibióticos, diz Kim Lewis, microbiologista da Universidade Northeastern, em Boston, que não participou do estudo.  Pelo menos, “ontem, isso é o que eu teria dito a você”, diz ele.  “Hoje, depois de ler esse documento, tenho que mudar meus pontos de vista.”

O geneticista bacteriano Christian Lesterlin, do CNRS-INSERM, da Universidade de Lyon, na França, e seus colegas queriam saber mais sobre como as bactérias passam a resistência aos antibióticos uma para às outras.  Os pesquisadores programaram geneticamente a E. coli para produzir proteínas fluorescentes que permitiram que a equipe assistisse ao microscópio em tempo real enquanto as bactérias trocavam os plasmídeos e produziam proteínas resistentes aos antibióticos.




No vídeo: Pesquisadores capturaram bactérias E. coli no ato de se tornarem resistentes ao antibiótico tetraciclina. Algumas bactérias já continham um pedaço circular de DNA, chamado de plasmídeo, que carrega genes de resistência a antibióticos. Essas células resistentes (verde) passam o plasmídeo para células sensíveis (vermelho). Depois que o plasmídeo é transferido (pontos amarelos), as bactérias sensíveis começam a produzir proteínas que tornam os micróbios resistentes ao antibiótico. As bactérias ficam cada vez mais verdes à medida que se tornam resistentes ao antibiótico.

As trocas acontecem rapidamente. Dentro de três horas, cerca de 70% das E. coli sensíveis se tornaram resistentes ao antibiótico tetraciclina, descobriu a equipe de Lesterlin.  Quando a tetraciclina foi adicionada às bactérias, cerca de um terço dos micróbios que ainda eram sensíveis também se tornaram resistentes à tetraciclina.  “Isso foi muito, muito surpreendente”, diz Lesterlin.

Uma vez que as bactérias obtêm o DNA plasmidial, elas ainda precisam ativar os genes de resistência e produzir as proteínas que acabam combatendo os antibióticos – neste caso, uma proteína chamada TetA que bombeia a tetraciclina para fora das bactérias.  A tetraciclina bloqueia a produção de proteínas, portanto, quando a droga está por perto, as bactérias que ainda não produziram a TetA estarão quase mortas e não deveriam poder aproveitar os genes de resistência recém-adquiridos, diz Lewis.

Mas a maior parte das bactérias mortas ainda está um pouco viva graças à bomba de proteínas de múltiplos fármacos – pelo menos o suficiente para que algumas proteínas TetA, que exportam todo o antibiótico e, finalmente, devolvem os micróbios à vida plena, descobriram os pesquisadores.

A bomba de múltiplas drogas também ajudou as bactérias a permanecerem vivas por tempo suficiente para desenvolver resistência a outros antibióticos. A desativação ou remoção dessa bomba impediu que as bactérias desenvolvessem resistência.  Drogas que desativam essa proteína da bomba podem impedir a propagação da resistência a antibióticos através de plasmídeos.  Mas essas drogas ainda não são seguras para uso em pessoas, diz Lesterlin.

“Não há boas notícias para o bem-estar humano” no estudo, diz ele.  Ainda assim, “é melhor conhecer seu inimigo e que tipo de arma ele tem”.

Fonte:  [ScienceNews] Site Só Científica

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Após morte de casal por peste bubônica, avião é colocado em quarentena na Mongólia


Casal contraiu a doença ao comer uma marmota contaminada. Fronteira do país com a Rússia tem bloqueio sanitário.

Passageiros de um avião que ia para Ulaanbaatar, capital da Mongólia, foram colocados em quarentena na sexta-feira (3) após a morte de duas pessoas por peste bubônica em Uglii, também na Mongólia.

O casal foi infectado após caçar e ingerir a carne de uma marmota. Um controle de fronteira entre Uglii e a cidade russa de Novosibirsk está fechado para evitar que a doença se espalhe.
Onze passageiros foram encaminhados diretamente para hospitais enquanto 150 foram examinados no aeroporto de Ulaanbaatar, segundo informações da revista "Newsweek". Turistas europeus estão presos na cidade de Uglii, que também está em quarentena.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a peste pode matar em menos de 24 horas se não houver tratamento. A doença é causada pela bactéria Yersinia pestis, que é encontrada em pequenos mamíferos roedores. Conhecida também como peste negra, a bactéria matou mais de 1/3 da população europeia no século 14.

Contaminação

Segundo o jornal local "The Siberian Times", o homem caçou a marmota na região de Uglii e se alimentou da carne do animal junto com sua esposa, que também morreu. Ele tinha 38 anos e sua morte foi confirmada no sábado (27). A esposa, de 37 anos, estava grávida e morreu três dias depois. Os dois eram nativos de Uglii.

"Apesar de ser proibido consumir marmotas no país, o paciente caçou o animal e comeu sua a carne junto com a esposa. A bactéria afetou o estômago dos dois", explica o médico N.Tsogbadrakh, diretor do centro nacional de zoonoses, em entrevista ao jornal "The Siberian Times".

Como a doença é altamente contagiosa, uma equipe isolou a cidade e turistas estrangeiros estão impedidos de sair de lá. O Ministério da Saúde do país afirma que a situação não é considerada crítica, mas que a quarentena na cidade pode durar até 21 dias.

Pelo menos 158 pessoas que tiveram contato com o casal morto estão sob supervisão médica na cidade. A fronteira de Uglii com a cidade russa de Novosibirsk está bloqueada até domingo (5).

O que é a peste bubônica?

A bactéria Yersinia pestis causa a peste, doença que pode aparecer em duas formas: a bubônica ou a pneumônica. Entre 2010 e 2015, foram 3.248 casos relatados em todo o mundo. No século 14, a peste chegou a matar 50 milhões de pessoas na Europa, segundo estimativas da OMS.
Hoje, a maior parte dos casos, segundo a OMS, está no Congo, Madagascar e Peru. No Brasil, o último caso foi registrado em 2005, no Ceará, de acordo com dados do Ministério da Saúde.

Na forma bubônica da peste, os linfonodos — pequenos conjuntos de células do sistema de defesa espalhados pelo corpo — ficam inflamados, formando o que se chama de "bubão pestoso". Em fases avançadas da infecção, os linfonodos inflamados podem se transformar em feridas abertas, com pus.

Se não for tratada, a peste bubônica pode se agravar e se transformar em peste septicêmica. Nesse caso, a bactéria cai na corrente sanguínea e a infecção se espalha por todo o corpo.
A peste também pode aparecer nos pulmões — é a forma pneumônica da doença, a mais grave. Esse é o tipo que, se não for tratado, pode ser fatal entre 18 e 24 horas depois de aparecerem os primeiros sintomas, de acordo com a OMS.

Os sintomas mais comuns são a formação de feridas que soltam pus, além de febre, calafrios e náusea. As primeiras manifestações da doença aparecem entre um e sete dias após a infecção.

Fonte: G1 / Ciência e Saúde
Foto: Internet (reprodução Pixabay)